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13/02/2012

Postado por admin

R$ 15,8 bilhões em dez anos

Trânsito Intenso na Av. das Américas, entre a Barra e o Recreio, por causa de obras.

R$ 15,8 bilhões em dez anos. É este o investimento público e privado necessário para o Rio superar gargalos de infraestrutura. Rio de Janeiro está na moda: em 2011, os hotéis fecharam o ano com 78% de média de ocupação, a cidade é cenário de filmes de Hollywood e a sensação de segurança melhorou com a ocupação das favelas. Mas a cidade também chama a atenção por colecionar tragédias e problemas nos últimos tempos, decorrência de uma infraestrutura ultrapassada. Panes frequentes nos trens se somam a problemas no metrô, nas barcas e aos intermináveis congestionamentos. Tendo como referência o ano de 2010, especialistas ouvidos pelo GLOBO estimam que, até 2020, serão necessários R$ 15,8 bilhões em investimentos públicos, privados e financiamentos para revitalizar e ampliar as redes de transportes, urbanizar favelas e modernizar galerias de gás e energia.


Nesta conta não estão incluídas obras que particulares terão que fazer para reformar imóveis degradados. O descompasso entre investimentos e a recuperação do prestígio carioca ficou tão evidente quanto as recentes tragédias: nos últimos 18 meses pelo menos 38 pessoas morreram (23 apenas na queda do Edifício Liberdade, no Centro) e 120 ficaram feridas (50 no descarrilamento do bondinho de Santa Teresa). Para especialistas, populismo foi nocivo.


Para especialistas, a origem do problema está na crise econômica da década de 80. Na avaliação do coordenador do Observatório das Metrópolis do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano Regional (Ippur/UFRJ), Luiz César de Queiroz Ribeiro, todas as grandes cidades brasileiras sofreram na chamada década perdida. Particularidades do Rio, porém, agravaram as consequências. Para Queiroz, governos populistas não adotaram políticas públicas duradouras: O Rio tenta, mas ainda não conseguiu recuperar a capacidade gerencial que tinha antes da década de 80. Os quadros que se aposentaram não foram repostos na mesma quantidade observa Luiz César. Especialista em planejamento urbano, o professor do Instituto de Economia da UFRJ Mauro Osório também identifica falhas nas políticas públicas como a origem dos problemas. Segundo ele, a situação se agravou porque o estado conviveu, a partir da primeira administração Chagas Freitas (1971- 1975), com um ciclo de governadores populistas, encerrado apenas em 2006.


Na esfera municipal, o fim do poço chegou em 1998 quando o então prefeito Saturnino Braga, sem recursos para honrar seus compromissos, decretou a falência do Rio. A crise econômica atrapalhou . Nesses anos faltou planejamento para manter a cidade atrativa para investimentos afirma Mauro. Moacyr Duarte, da Coppe, especialista em gerenciamento de risco, concorda. Para ele, salvo algumas exceções como a Geo-Rio (empresa da prefeitura especializada no monitoramento de encostas), os órgãos responsáveis por fiscalizar a cidade ainda trabalham como se estivessem nos anos 70. Qualquer obra para ser licenciada pela prefeitura ainda exige a apresentação de plantas em papel. Os arquivos digitais não são utilizados critica. Exigir agilidade com a estrutura oferecida para fiscalizar uma cidade como o Rio é o mesmo que tentar esvaziar uma piscina olímpica com baldes em lugar de mangueiras de sucção.


A falta de investimentos no transporte de massa é lembrada por especialistas. Investimentos públicos e privados não foram feitos nos períodos previstos nos contratos originais do metrô, barcas e trens. A privatização dos sistemas, nos anos 90, não surtiu o efeito desejado. Para o coordernador da Escola de Políticas Públicas e Governo da UFRJ, Luiz Alfredo Salomão, não se pode atribuir as deficiências no transporte apenas à falta de recursos.


Os trens da rede ferroviária fluminense chegaram a transportar 1 milhão de pessoas por dia. Correspondiam a 80% da demanda por transporte da cidade. No fim do governo Marcello Alencar (1998) eram 70 mil usuários. E na privatização, os critérios não levaram em conta a capacidade financeira dos investidores para modernizar o sistema, que continuou a depender de recursos públicos analisa Luiz Salomão. Faixas exclusivas para o transporte de massa não entraram nos grandes investimentos feitos na malha viária da cidade a construção das linhas Amarela e Vermelha, que ajudaram a desafogar os gargalos do trânsito. E a cidade também perdeu algumas chances mesmo quando teve oportunidades. Em 1992, ganhou seu primeiro Plano Diretor, considerado um dos mais modernos do país. No ano passado, um novo texto foi aprovado pela Câmara dos Vereadores sem que a maior parte das diretrizes previstas há 20 anos fossem regulamentadas. As autoridades, por sua vez, garantem que a situação já está sendo revertida com um papel mais ativo do poder público.

Os contratos foram renegociados e o estado estimulou a entrada de grupos na operação de transporte de massa com maior possibilidade de investimentos. Também investimos numa política de subsídios com o bilhete único. Os primeiros novos trens do metrô já chegaram e estão em testes. Corrigir um problema de décadas demora argumentou o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes. O secretário municipal de Conservação, Carlos Roberto Osório, observa que a prefeitura também está tendo um papel mais ativo. Um dos exemplos é o monitoramento de bueiros com risco de explosão. A primeira questão que tivemos de enfrentar não era como iríamos recuperar os serviços da cidade, mas como fazer para que eles parassem de piorar. ■ Os projetos de obras e transportes

● TRENS: O plano de modernização prevê investimentos de R$ 2,4 bilhões nos próximos anos, divididos entre estado e concessionária, e inclui a compra de 120 trens. Destes, 30 já foram adquiridos, sendo que quatro estão em testes. O restante chega nos próximos meses. O estado abriu licitação para a compra de mais 60 trens. Outros 30 serão adquiridos pela SuperVia.

● CEG: A concessionária está investindo R$ 25 milhões na modernização de 50 quilômetros da rede de gás do Centro e de Copacabana. O serviço deve ser concluído este ano e está sendo feito com recursos da empresa.

● LIGHT: A empresa pretende investir R$ 320 milhões até o fim de 2013 para modernizar sua rede subterrânea.

● FAVELAS: Em 2010, a prefeitura lançou o programa Morar Carioca. A proposta é urbanizar, até 2020, todas as favelas com mais de 100 domicílios, eliminando áreas de risco e recuperando a infraestrutura. A estimativa é investir cerca de R$ 8 bilhões no projeto. Entre as fontes de recursos, estão a União, o estado, a prefeitura e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
● BONDES: O custo final para modernizar o sistema ainda não foi fechado. No ano passado o Detro estimou que serão necessários pelo menos R$ 31 milhões. O plano inclui a recuperação do sistema de alimentação de energia dos bondes, construção de nova subestação de energia, troca dos trilhos e reforma de pontos e estações. O projeto prevê ainda a compra de uma nova frota de bondes, mas o número ainda será definido em licitação. Os recursos deverão vir do estado.

● METRÔ: O plano de revitalização do sistema começou em 2008. De 2010 a 2018, a previsão é que a concessionária invista R$ 968 milhões como contrapartida pela renovação antecipada da concessão por mais dez anos (até 2028). Nessa conta, estão a compra de 19 trens, com 114 carros. Já a implantação da ligação Zona Sul-Barra até 2016 tem custo total estimado de R$ 5,6 bilhões, sendo parte vinda de financiamentos privados ainda em negociação.

● BARCAS: O estado lançou um programa para reformar as estações de Arariboia e Praça XV, além da compra de nove catamarãs. Destes, sete terão capacidade para 2 mil passageiros e serão usados na travessia Rio-Niterói. Outros dois de menor porte (até 500 passageiros) vão operar na Ilha de Paquetá e na Ilha Grande. Os R$ 350 milhões a serem investidos pelo estado até 2014 virão de um financiamento do Banco do Brasil ao estado.
● BRT: A implantação de quatro corredores expressos de ônibus (BRTs) interligando a cidade tem custo estimado de R$ 5,6 bilhões até 2016, incluindo obras de infraestrutura e desapropriações. Na conta, estão o Transcarioca (R$ 1,8 bilhão), o Transoeste (R$ 900 milhões), o Transolímpico (R$ 1,6 bilhão) e o Transbrasil (R$ 1,3 bilhão). Os recursos serão da prefeitura, de financiamentos e de Parcerias Público-Privadas.
● PRAÇA DA BANDEIRA: Um total de R$ 292 milhões são necessários para acabar com as enchentes na Praça da Bandeira. No total, estão incluídas obras de macrodrenagem, com a criação de 4 reservatórios. O projeto é financiado pelo governo federal.


Fonte: O Globo.

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